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Sobre danilohcastro

Tenho ideias por encomenda. @danilohcastro | @oemquepensar

Sobre relacionamentos abertos

_ Soletre Relacionamento Aberto.

_ B A G U N Ç A

Ansiosos Anônimos

Paro o carro em frente a uma fachada que não é interessante. Desço e entro no prédio com uma recepção modesta. Pergunto onde será a reunião e a moça me aponta um corredor tímido e cinza, que lembra minha escola do ensino médio. Entro na sala e sou nocauteado pelo clichê de algumas cadeiras em circulo e pessoas sentadas com caras de tédio. A “reunião” começa conduzida por aquele que parece ser o líder da cambada. Li que cambada é o coletivo de desordeiros, e faz todo sentido já que somos uma geração de desordeiros… mentais. Depois de algumas falas pouco expressivas e nada sinceras, chega minha vez de falar.

 

_ Oi. Meu nome é Danilo.

_ Oi, Danilo. Respondem com a animação de quem lê aquele folheto de missa pouco inovador. Ou ainda como quem repete para a pessoa ao lado a frase que o pastor grita na intenção de causar interação entre os irmãos no culto. Então, continuo.

 

_ Começo este testemunho me sentindo o maior hipócrita do mundo. Sinto-me um médico que diz ao paciente para não fumar, mas que preenche os intervalos entre consultas com cigarros. Como os pais que pegos no pulo-do-gato dizem com o rosto vermelho de vergonha: “faça o que digo, não o que faço”. Externada essa sensação, me dedico agora ao tema central deste desabafo.

De fato, estava cansado de sair por aí empurrando tudo pela frente. É do meu feitio, seja com sorriso ou com grito, conduzir tudo para onde quero. Gosto assim, mas é cansativo. Não estou me maldizendo, entenda: ser assim é bom, embora ruim. Mas pesando com cuidado, é mais bom que ruim.

O que quero dizer é que, finalmente, aprendi que não adianta me desesperar, fazer birra, implorar, fazer beicinho, ofender, ficar de mau ou qualquer outro artifício para conseguir o que quero. Na vida só se tem o que é para ser seu. Se não aconteceu, não é para ser e isso é tudo! Pode espernear à vontade, isso é tudo, e fim.

Veja a Gisele, a Bündchen. Linda, rica, brasileira, bem-sucedida, marido gato, filhos saudáveis, cachorros sorridentes, mansões milionárias, cidadã do mundo e blá-blá-blá. Quem, por mais Mãe Diná que fosse, daria esta previsão? Quem diria que uma menina nascida no interior do Rio Grande do Sul, seria eleita a mulher mais bonita do mundo, além de ser a modelo mais bem paga? Gisele Bündchen nasceu para ser Gisele Bündchen, e nada nem ninguém tira isso dela.

Justo ou injusto (resolvam isso com Deus), a verdade é que cada um nasceu para ser algo, que não sabemos ao certo, mas que aos poucos a vida trata de mostrar.

Agora que chegamos a este ponto da explanação, críticos (também conhecidos como “do contra”) dirão que se isso for, no mínimo, coerente, podemos nos sentar e esperar nosso destino se cumprir. Na-nani-nanão! Cada um tem a sua parte neste processo: Você faz a sua e a vida a dela, necessariamente nessa ordem.

É somando-se as partes que a magia acontece na hora que deve ser. E o mais importante é acreditar que no final tudo dá certo. Se não, é por que ainda não é o final.

Gosto de agradecer

Meus agradecimentos no TCC da graduação, em 2010.

 

Agradeço a Deus pela oportunidade da vida, pelo eterno aprender. Com certeza nesses 4 anos de PUC aprendi muito com cada pessoa que conheci, em cada momento. (Até no stress do TCC rs)

Família | Mãe (Renata) e Andrews (irmão), obrigado pelo apoio incondicional em TODOS os momentos, vocês são o meu tudo! Essa conquista é mais que minha, é NOSSA! Agradeço meu tio Vicente, meus amigos Rosana e Marcio, pelas caronas pra’s entrevistas do PROUNI. (Agradeço ao Lula também rs)

Busão Mogi-PUC | Agradeço a galera do busão, todos sem exceção foram mais que amigos e me ajudaram em cada momento. As festas foram a melhor parte! Obrigado especial pro Marcião, cara nós entramos nessa juntos e você foi fundamental pra mim.

Professores | Desde o primeiro professor, o Prisco, passando pela Dulce, Mauricio, Rita, Geribello, Joelma, Caetano, até chegar ao orientador do TCC Wagner, o meu muito obrigado!

Amigos 1º grupo | Carolzita, Mari, Camilinha, Raya e Rafa Testa. Foi demais!

Agência Ameise | Steven (Otávio), Du (Eduardo), Diego e Thais, muito obrigado! Aprendi muito e valeu super a pena!

Agência Maori | Finalmente! Abraz, Tok&Stok… bom, acho que vou sentir MUITA falta disso. Obrigado a todos por me aceitarem. Vocês já trabalhavam bem e mesmo assim me “contrataram”… a pergunta é: Me contrataram porque sou bom ou sou bom porque me contrataram (rsrs)?

Raya | Cara, obrigado por me convidar pra trabalhar na Maori (rs)! Brincadeiras a parte, eu estava n’uma fase difícil na facul e você me ajudou MUITO. De todo coração, valeu! Gu | Aquele dia pra irmos na Tok&Stok você foi muito gente fina. Valeu por tudo! Ah, e as suas piadas são as únicas que eu reconto. (rs) Mamá | Você é um doce, até quando fica stressadinha (rs) Eu sei que nesse coração ai tem um monte de coisas boas, seja sempre assim! Lari | Antes da Maori, não gostava de você. Mas quando cheguei, vi que você é mais especial do que pensava. Estudiosa, dedicada… Aquelas fotos no WalMart foram comédia! (rs) Ni | Você é talentosa! Gostei de trabalhar com você! Quem sabe um dia eu redator e você diretora de arte (rs). Em São Paulo?

Bom, um ciclo se encerra. Outro recomeça! E apesar do frio na barriga, a expectativa para o novo, o próximo, o seguinte, o adiante… é inevitável.

Desejo sucesso pra nós! (pois sucesso sozinho não tem graça)

A gente se esbarra por ai!

Quando Deus me receber

A morte é um mistério a ser resolvido. Não a morte propriamente, mas o porquê se morre.

Mistério posto e jamais resolvido, dedico-me agora a falar da dose de realidade do dia. Hoje, a morte visitou uma amiga jovem, bonita, de bom coração, cheia de sonhos… e a combinação dos fatos me deixou multiplamente triste.

A morte é aquela inspetora de alunos que sai da diretoria apenas para lembrar que a vida não é feita só de recreios com brincadeiras e guloseimas. A morte é a aquela pia cheia de louça gritando para ser lavada apenas para lembrar que a vida não é feita só de deliciosos almoços em família. A morte é aquela ligação não atendida do ex-grande-amor da sua vida apenas para lembrar que a vida não é feita só de conchinhas e beijinhos. A morte é… ridícula.

Quando chegar lá em cima, caso o céu seja realmente em cima, vou esperar educadamente pelos ritos de praxe e, na primeira oportunidade, vou metralhar: “Qual o sentido da vida?” e “Qual o sentido da morte?” e, com todo o respeito do mundo “Se Deus criou tudo, quem criou Deus?”.

Não tenho medo de perguntar. Nem medo de morrer. Só tenho medo que doa. Certa vez, na igreja Presbiteriana, um dos estudiosos da Bíblia disse que morrer é como um “abrir e fechar de olhos”. Você fecha o olho aqui e abre lá. Lá onde mesmo? Enfim, esse enfoque é confortante, mas só morrendo para saber. Me irrita isso que a vida tem de não permitir ensaios. Se bem que ensaiar a morte seria um pouco estranho.

Estou pensando aqui: seria a vida um grande ensaio? Se sim, estamos ensaiando para quê?

Gosto de conversar com Deus antes de dormir e sempre digo “Deus, obrigado por mais este dia. (…) Abençoa os meus vivos queridos, dá força, alegria, sonhos bons. (…) E cuida dos meus mortos queridos, para que fiquem bem onde estão e blá-blá-blá, em nome de Jesus. Amém”. A única coisa que não digo é que a vida faz pouco sentido. A morte então…

 

Dedico este texto ao sorriso e olhar sinceros de Marcella Mary e a todos os meus mortos queridos.

Sobre amor e brigadeiro

Eureca: o amor se parece muito com brigadeiro de panela.

Para amar, separe:

1 Colher de sopa de paciência

1 Lata de confiança

4 Colheres de sopa respeito

Aqueça a relação, digo, panela em fogo médio. Baixo demais é amizade. Alto demais é paixão passageira e queima.

Acrescente 1 colher de sopa de paciência. Seja generoso, é uma colher bem cheia, de mãe. É a paciência que vai dar a liga. Ela ajuda a desfazer os caroços, digo, problemas que surgirem durante o preparo e dá aquele brilho especial ao amor, digo, brigadeiro.

Logo após utilize toda a lata de confiança. E cuidado! Pode ser que ao abrir a lata você se corte, mas isso é natural. Confiar requer coragem e a gente, de vez em sempre, se corta. Não se preocupe. Cortes ocasionados por latas de confiança doem, sangram, incomodam, mas coloque um curativo e siga em frente. O brigadeiro, digo, o amor sobrevive aos cortes, que quando cicatrizados funcionam como um memorial aos mártires que lutaram bravamente por amor. Nobre, não é? Em última análise, cortes acontecem, mas o importante é o brigadeiro, digo, o amor. Resumindo o resumo: foque no amor e não nos cortes.

Em seguida acrescente 4 colheres de sopa de respeito. Por si mesmo, pela outra pessoa, pelos sonhos, vontades, anseios, de cada um. Sim, eu disse um. Vocês agora serão um. E essa é a magia do brigadeiro, digo, amor: se junta coisas diferentes, que quando misturadas da maneira certa, se tornam uma coisa só. Fofo, não é?

E então, mexa sem parar até desgrudar da panela. Bem, agora vem aquele momento em que você precisa se dedicar, e muito. O amor, digo, brigadeiro, não é para os preguiçosos. Se quiser algo, é preciso mexer-se sem parar, até desgrudar da panela, digo, até chegar aonde se quer. A vida se parece muito com brigadeiro de panela. É preciso estar atendo ao fundo da panela, a altura da chama, a textura da mistura, o tempo decorrido até então, etc e etc. Boas relações são feitas de pessoas atentas aos detalhes, com vontade suficiente de fazer dar certo. Sacrifício que será docemente recompensado.

Por fim, se for ansioso como eu, espere só esfriar um pouco e se delicie, ali na panela mesmo, as colheradas. Simplicidade define.

Se você é daqueles que gostam de transformar o brigadeiro em um acontecimento, unte um recipiente onde a mistura será despejada e faça pequenas bolas com a mão passando-as no chocolate granulado.

Última dica (de quem sabe pouco de brigadeiro e menos ainda de amor): coma aos poucos, devagar, sem pressa. Se delicie com cada colher ou bolinha granulada. Sinta o sabor, o aroma, a textura. Se possível, leve o brigadeiro, digo, amor até a boca e feche os olhos. Viva aquele momento por inteiro. Penso que brigadeiros, assim como amores, devem ser celebrados. Ser doce é preciso.

Refugos publicitários

O job era sobre o Dia Mundial da Saúde Mental…

 

Respeito pode até rimar com preconceito, mas não combina.

Um dilema pra chamar de meu

Essa insatisfação constante. Acho que descobri o por quê.

Vivo num eterno dilema entre ser eterno e estar instante.

Nos galhos secos de um aplicativo qualquer…

A conversa ia bem. E então, uma piada surgiu.

_ você é modelo?

_ eu?????? Só se for modelo de mau comportamento por rebeldia explícita e desleixo calculado…

_ hahahahahhahaha

Amores e músicas

Meu cérebro e seus monólogos secretos.

_ Ah, essa música não.
_ A música é linda. Ouve sim.
_ Mas me traz uma sensação ruim.
_ Para de frescura, não tem nada a ver.
_ Sério. Me faz lembrar de coisas que quero esquecer.
_ É só uma música e muito boa música.
_ Eu sei. Concordo. Mas ainda não tô pronto pra ouvir de novo. É recente.
_ Então tá. Passa pra próxima.
_ Quer saber? Vou ouvir essa música sim… foda-se se ela me lembra você.

Oceno…

Há um oceano que separa o querer o bem do fazer o bem. Mas estou disposto a nadar.

Nos galhos secos de um aplicativo qualquer…

Comecei a conversa assim.

_ Oi.

_ A ou P?

_ A de amor, B de baixinho, C de coração…

 

E sai dali, as gargalhadas. Quando o riso passou, pensei que deveria ter respondido.

_ T de “tenho quase certeza que eu não sou daqui.”

 

Motivos

Não importa qual o tipo de relação. Cada um tem seus motivos.

Você tem os seus motivos. Eu tenho os meus motivos. E, pouco a pouco, fazemos destes motivos tijolos que são usados para erguer este muro disposto entre nós.

Disposto? Sim! Primeiro por que é um muro involuntário, não construído, apenas determinado entre nós. Segundo por que falta disposição para transpor o muro.

Devia ter me formado em arquitetura…

Enquanto isso no lustre do castelo…

E me disse.

_ Desculpa. Acho que você já tem problemas demais. Não quero te arrastar pra isso.

_ Me arrasta pra um abraço bem apertado. =_)

 

Engraçado como tudo é uma questão de óptica.

 

Nos galhos secos de um aplicativo qualquer…

Insanidades que leio por ai…

_ Só me chame se você for gato.

_ Miau. kkkkkkkkkkkkkkk, disse eu.

Desfocado

O filho no quarto, a mãe na sala e então.

_ Mãe, você viu meu foco?
_ A última vez que vi estava dentro do seu quarda-roupa.
_ Já olhei no guarda-roupa e não está.
_ Então procura na sua escrivaninha.
_ Já olhei a escrivaninha, embaixo da cama, atrás da porta e nada…
_ Se eu for aí e achar o seu foco, faço você engolir.
_ Seria ótimo!

Jaqueta jeans

Nunca se viram mais gordos. Jamais voltarão a se ver. Quanto mais comum é o ônibus e rápido é o trajeto, mais intensos são os olhares.

Ela olha por que tem interesse. Como que apreciando a vista.
Enquanto ele, por ciumes dela. Como quem demarca o território.
Eu olho como quem vislumbra uma vitrine. Como quem encontrou o que tanto busca. Como quem acaba de esbarrar no tão sonhado desejo.

Achei bonita a jaqueta jeans.

Três presentes

Tenho uma teoria: quando estamos para nascer, Deus (ou aquilo que você acredita) nos concede presentes que serão muito úteis durante toda a vida. São três os tipos de presente: beleza, inteligência e dinheiro. A maioria das pessoas nasce com apenas um presente. Poucos sortudos nascem com dois. E tem os raros, que nasceram com a bunda virada pra lua, como dizem por aí, com três presentes.

Pois bem, quem nasce com dinheiro, trata logo de comprar sua beleza e, em alguns casos, a inteligência. Quem nasce com beleza, trata logo de usá-la para conseguir dinheiro. E isso é tudo. Quem nasce com inteligência, trata de entender como ter beleza e dinheiro e não entrar em crise existencial por estar se rendendo aos padrões de estética e consumo impostos a esta geração pós-moderna. (gosto assim, sem vírgulas)

Voltando a mim. Eu realmente gosto de ser inteligente. É meu presente favorito (favorito como? se não recebi os outros…), mas, como tudo nessa vida, tem seu lado ruim e bom, ao mesmo tempo.

Juro que é involuntário. Meu cérebro costuma agir como um investigador do CSI, uma pista aqui, com aquela pista acolá, de repente um estalo e chego à conclusão. Quando são conclusões relacionadas à profissão, aos estudos ou questões práticas da vida, é maravilhoso. Funciona como uma vantagem competitiva, à la Darwin.

Mas quando essas conclusões são sobre pessoas, e pessoas com as quais me relaciono… (PALAVRÃO BEM CABELUDO). Então tem início um processo de autoflagelação, no qual já sei o final daquela situação e fico pré-ocupado e a espera do que virá. Meu psicólogo diz que ansiedade demais não é bom. E diante dele, pergunto e respondo.

_ E quem diz que eu consigo ser diferente? Já tentei e não dá.

Para não dizer que minhas conclusões sobre as pessoas são sempre ruins, costumo dizer que nunca são boas. Funciona. Conforta. Ameniza. Eu sei o que você deve estar pensando enquanto lê esse texto: que decepção faz parte da vida, que as coisas são assim mesmo, que é preciso se conformar com isso, que et cetera e tal.

Volto aos presentes. Quem nasceu com dinheiro, rega suas decepções com champanhe em um luxuoso hotel em Paris. Quem nasceu com beleza, trata logo de se arrumar e ir para a primeira festa, ou o primeiro aplicativo, ou qualquer lugar cheio de pessoas que massagearão seu ego com elogios interesseiros. Já quem nasceu com inteligência, quando sofre alguma decepção, escreve textos com conclusões questionáveis.

Não é estranho?

Em menos de um mês, faríamos três. Não é estranho?

Depois de muito tempo evitando ver-te, meu olhar acaba de cruzar com o seu em uma foto qualquer de amigos em comum. Amigos? Bem, acho que há um erro de concordância quando se usa as palavras amigo e gay na mesma frase. O jeito como eles agem, não é estranho?

Volto ao seu olhar de ressaca, que nessa foto me pareceu doce e fez doer. Acho que por que até dia desses era amor e havia planos, sonhos, verdade, amizade, esperança, respeito… Hoje não há nada, além de uma ausência forçada, um evitar obrigado. O fim, não é estranho?

Até ontem a noite era tudo e hoje amanheceu nada. É estranho!

Como também é estranho que todo amor verdadeiro que eu vi ou me contaram, tem uma característica comum: o impedimento. Amores de verdade nunca ficam juntos. A literatura, o cinema, a música e a TV mostram isso todos os dias. Nas artes inventamos finais felizes, que na vida real seriam, no mínimo, utópicos.

Separando o amor verdadeiro do resto, o que resta são interesses disfarçados de amor.

Romeu “ama” Julieta por que é proibido. Adriane “ama” Airton por que ele é um herói.

Thiago “ama” Pedro por que ele é sarado. Daniela “ama” Ronaldo por que ele é rico.

Renata “ama” Valmir por que está grávida. Amanda “ama” Pietra por que ela traz conforto.

E quando este interesse, hora disfarçado de beleza, hora de dinheiro, ou seja lá o que for, quando o interesse acaba, todos partem o coração e partem para o próximo amor, quer dizer, interesse. Ser descartável, não é estranho?

Não quero ser hipócrita. É óbvio que primeiro algo em mim interessa a você e vice-versa. Minha crítica está no fato de permanecer nisso e não evoluir. Se o amor é um jogo, quem se entrega de verdade perde de 7 a 1 e nem passa da primeira fase. Estou cansado de estar sempre nessa mesma fase do jogo.

Todo um que eu conheço sonha ser feliz a dois. E isso tudo me leva a uma conclusão: perdoei você rápido demais e você a mim, de menos. E deve ser porque a sua melancolia combina com a minha poeticidade.

Vinte e seis de agosto, nove e quarenta e dois.

Enquanto isso no lustre do castelo…

E ela diz…

_ Genteeeee!!! Pode parar com isso! Os caras mais interessantes que eu conheço, não se interessam por mulheres… Difícil a vida, viu?

é não você

É o ronronar. É o olhar doce e inocente do seu gato.

É o beijo silencioso. É a demonstração secreta de carinho.

Não é você.

É o olhar de culpa pela não aceitação. É a explosão de ser o que é.

É o verde da roupa de cama, da camisa e dos seus olhos.

É a mão que desliza sobre a barba. Não é você.

É a presença completa. É a bandeja de frutas vermelhas.

É a satisfação em receber bem quem visita.

Não é você.

É o pedido para ver aqueles vídeos no youtube.

É a história que se repete e, eu ansioso, desconfio do final.

É o meu cheiro que marca e agrada. Não é você.

É a possibilidade de felicidade que sempre invade.

É a esperança que me alcança e ao meu coração amansa.

Não, é você.

Essa gente tem um plano

E a gente faz planos. E a gente quer ser feliz.

E a gente faz planos para ser feliz.

Não que a gente não seja, mas porque a gente quer ser mais… y.

Aquele gosto me lembra…

Não havia motivo para invadir aquele momento. Mas, aos poucos, aquele gosto familiar começou a me puxar pelo braço.

Já senti aquele gosto. Tenho certeza!

Então, meus sensores gustativos começaram a enviar mensagem ao cérebro, que inteligentemente procurou nos arquivos da memória a origem daquele gosto. Eureka! Você. Mais uma vez, você.

Você precisa parar com essa mania de chutar a porta da minha vida e ir entrando, sem pedir licença… Você deveria morrer como se deve. Já não basta estuprar meus sonhos? Tens de invadir os sabores alheios?

O pior, ou não, é que já estava muito bom. Mas quando aquele gosto se tornou seu, ficou ainda melhor.

O que me dizem seus lábios

Seus lábios dizem que um dia comigo é um dia como outro qualquer… sqn. Convidam-me para te acompanhar em um café no fim da tarde. Dizem ainda, que um taurino não desiste fácil e sempre consegue um sim.

Seus lábios me dizem que ao faltar exatamente uma hora para o encontro esperado, se instalou em você a inquietude e a ansiedade. Que o tempo começou a brincar, demorando a passar.

Seus lábios declaram que houve uma troca de olhares profunda e frequente e que nossa reação ao nervosismo é a mesma: orelhas quentes e mãos frias. Concordo! Dizem que parecemos nos conhecer a tempo. Dizem que se lembra das pequenas e discretas trocas de carinho, quando usei pretexto para pegar em suas mãos, por exemplo. Esse e mais outros pequenos gestos foram te conquistando. Várias vezes, no meio de algum assunto, aqueles momentos em que ambos os olhos se conectavam de uma forma que nos fazia paralisar, levando a gargalhadas gostosas. Seus lábios dizem que quando olhamos para o relógio, já era a hora de voltar pra casa, pois mais uma vez o tempo havia brincado conosco, dessa vez passando depressa.

Seus lábios me dizem que em sua cabeça surgem perguntas como “O que você está pensando? Será que você realmente gostou de estar comigo pessoalmente?”. Dizem que você premeditou um beijo.

Seus lábios me envergonham ao dizer que meu jeito fofo de estar envergonhado, sem jeito e tentando me esconder atrás de uma parede invisível entre nós dois, te agrada. Seus lábios me segredaram que naquele momento a sua mão na minha mão, era para mostrar o quanto você havia gostado de estar junto comigo, naquelas três horas e meia. Dizem que você estava esperando uma brecha, uma oportunidade que veio com minha pergunta “Você gostou?”.

Seus lábios me confessam que essa foi a chance que você estava esperando para me dar um beijo. Na verdade, uns.

Seus lábios me ensinaram que ao vermos horas iguais, como 22:22, podemos fazer um desejo com muita vontade. E afirmaram com convicção, que desejos podem se realizar.

Seus lábios te entregaram ao dizer que a noite, já deitado em sua cama, você pensou em mim e ao olhar para o outro lado da cama, me imaginou ali, deitado olhando em seus olhos e me disse “Boa noite”!

Seus lábios dizem tantas coisas fofas, ao passo que os meus só têm uma pinta.

Sobre se…

Falam com naturalidade. Fazem sérias brincadeiras sobre se. São livres e se permitem tão naturalmente que chega a incomodar. Na verdade os invejo.

Eu, todo puritano, me aprisionei numa canonização santificada, como se fosse único e especial… puro, inocente e ingênuo pensar. Todos são especiais, enquanto eu talvez… um lixo, apenas por não ser como eles.

Eles parecem tão normais e eu, tão sem referenciais… em se tratando de se.

Curitibanos, primeiras impressões.

Curitibanos são (muito) bonitos, se vestem bem, falam inglês fluente, amam hambúrguer, são bairristas (demais), viajam com frequência, respeitam regras…

Curitibanos correm pra não perder o ônibus, tem olhos coloridos, cultivam caras fechadas (acho que por influência da previsão do tempo) e, tenho quase certeza, inventaram essa de usar moleton como tendência de moda

Curitibanos fingem não se importar com a vida alheia, mas observam tudo atentamente (Ta’í o Oilman que não me deixa mentir sozinho) e não têm riso fácil, mas quando, é um sorriso sincero.

Curitibanos são educados (por osmose) e mal-educados com raiva. Raiva de que? Não sei. Talvez raiva do sol, que raramente vem.

Curitibanos são pálidos, como se fossem figurantes em algum filme da saga Crepúsculo. Falam leiTe, assistem peças, espetáculos de dança ou música e moram em sobrados, quer dizer, shoppings.

Curitibanos não te deixam entrar no meio de peças que já começaram. E te convidam a ir embora do bar, quando é hora de fechar.

Curitibanos chamam os não-curitibanos de forasteiros.

Curitibanos são caseiros, não jogam papel no chão e me tratam como se eu fosse um deles. Talvez eu seja.

O sol nos liga

O sol nasce na minha rua,
e se põe na sua,
você não vê?
Até o sol nos liga e antevê.

 

O sol nos liga… Nenhum de nós atende.

Irmãos, por escolha mútua.

Nós temos sonhos. Conscientes e inconsciente.

No dia 24 de junho de 2014, conversávamos. Como em todos os dias. É tão bom ter alguém para conversar assim. Irmãos, por escolha mútua. Neste dia conversamos sobre nossos sonhos da noite anterior. Então, ela começou dizendo.

 

_ Na verdade acordei cedo, mas dormi de novo por que tive pesadelos. Então, acho que não dormi bem.

_ Com o que?

_ Sonhei que estava caindo da escada, um menino me chutando. Uns negócios loucos. A escada era tão alta.

_ Ai, credo! Disse eu e, antes de dar espaço para qualquer pergunta, metralhei.

_ Eu sonhei que estava numa sala. Com um homem, uma mulher e a Dilma, a presidenta. Dilma e o homem discutiam, ela dizia que ele estava rendendo pouco, fazendo corpo mole, acho que no trabalho. Ele dizia que estava doente e mostrava milhares de caixas de remédio que estava tomando. Dilma começou a pegar as embalagens dos remédios do lixo, disse que enviaria para análise, para saber se ele estava mentindo. Era surreal ver a presidenta com um saco de lixo preto nas mãos, recolhendo as caixas de remédio, como uma mãe que limpa o quarto do filho, bagunceiro. Dentro de alguns dos vidros de remédio, havia ratos, ou lagartixas. Não tenho certeza. Dilma olhou para os ratos (ou lagartixas), olhou para o homem e começou a reclamar. Segundo a presidenta, outra pessoa também estava tomando aqueles remédios, mas não havia rato nenhum (ou lagartixas) em suas embalagens. Para mim e para a mulher, que apenas observava, ficou claro que a presidenta desconfiava daquele homem, parecia ter razão na desconfiança. Então, acordei.

_ Louco demais! Ah, e você só olhava?

_ Só. A mulher estava numa mesa e apenas observava também.

_ Ai, estamos doidos. Afirmou ela.

_ Somos criativos. Retruquei, como quem não quer admitir a loucura.

 

Ludsmile-Süper-Ursinha e eu sonhamos muito. Demais. Exageradamente. Somos exigentes com nossos sonhos, como somos em tudo na vida.

O lado ruim de ser exigente é a frustração constante. Somos frustrados crônicos. Insatisfeitos mórbidos.

 

O mendigo da Praça da Bandeira

Depois de dias apenas envolto em fedorentas cobertas velhas, hoje finalmente olhei nos olhos do mendigo da Praça da Bandeira. Que não me olhou de volta, pois estava com o olhar perdido. Chovia muito e o frio era óbvio.

Eu poderia lhe oferecer um pacote de bolacha, assim como fiz há algum tempo com o mendigo da Praça Chico Mendes. Poderia lhe comprar uma marmita na hora do meu almoço. Talvez sentar com ele alguns minutos, tentar entender o porquê e ajudá-lo a voltar pra casa. Mas não sei se conseguiria, uma vez que o olhar dele não me convidou para entrar.

Marcelo disse que aqui existe uma espécie de perua kombi, que convida os mendigos para ir até abrigos e que ele só está ali, na chuva, sozinho, no frio, com fome, na praça, porque quer.

Passo todo dia pela Praça da Bandeira, entro no tubo, pego o Inter II sentido Cabral e vou para casa, que não é minha, mas é quente e seca. E todo dia, vejo aquela imagem e por alguns segundos me sinto a pior pessoa, justamente por não saber o que fazer para ajudá-lo.

4°c em Curitiba, e o que podemos fazer?

Ali, vi antes.

E mesmo autoforçado a não dizer nada, me disse que sua mente é sempre invadida por boas lembranças, aquelas.

Disse que a vida pode ser leve. Um paraíso de coisas simples. Como quando em poucas e inesquecíveis vezes, foi acordado pelos carinhos do amor de sua vida. Confessou-me que em quase todas, já estava acordado, mas permanecia deitado a esperar pelos beijos de bom dia. Quando estava realmente dormindo, a surpresa de ser acordado com amor era tão deliciosa, que não havia mau humor matinal que resistisse a tanta doçura.

Ao me dizer, havia em seus olhos um brilho especial de quem é feliz, por instantes. Ou ainda um brilho feliz de quem é especial, por nascimento. O amor é simples, quase sempre.  Disse-me sorrindo.

Ao terminar de contar sua anedota amorosa, com toque de ingenuidade de criança, me encheu de perguntas, com respostas óbvias: Isso, que mágoa afoga? Quem resiste recordar isso? O que diriam?

Acho que diriam que você é preguiçoso. Mas eu, digo que é um privilegiado.

Diriam beijos. Digo, na verdade, que os lábios dançavam ao som de “o mundo acaba hoje e eu estarei dançando.”

Diriam abraços. Digo eu, que eram minutos de conforto num mundo duramente cruel.

Eu digo que foram momentos aliviantes. Digo que amor… ali, vi antes. E digo mais, se você soubesse escrever poesia, diria que…

 

O amor dá uma saudade.

Saudade de se sentir.

Sentir bem sem motivo.

Motivo que era o amor.

Por bosta

Em todo o mundo de língua portuguesa, bosta nada mais é do que um substantivo. Seja feminino, seja masculino, sempre substantivo. No máximo, interjeição.

Mas em Mogi Mirim, bosta é advérbio de intensidade. É comum ouvir os nativos dizendo…

 

“Tal lugar é legal por bosta, aquele fulano é gente fina por bosta, ou ainda, aquela comida é gostosa por bosta.”

 

Quando misturam comida com bosta, complica.