Não é estranho?

Em menos de um mês, faríamos três. Não é estranho?

Depois de muito tempo evitando ver-te, meu olhar acaba de cruzar com o seu em uma foto qualquer de amigos em comum. Amigos? Bem, acho que há um erro de concordância quando se usa as palavras amigo e gay na mesma frase. O jeito como eles agem, não é estranho?

Volto ao seu olhar de ressaca, que nessa foto me pareceu doce e fez doer. Acho que por que até dia desses era amor e havia planos, sonhos, verdade, amizade, esperança, respeito… Hoje não há nada, além de uma ausência forçada, um evitar obrigado. O fim, não é estranho?

Até ontem a noite era tudo e hoje amanheceu nada. É estranho!

Como também é estranho que todo amor verdadeiro que eu vi ou me contaram, tem uma característica comum: o impedimento. Amores de verdade nunca ficam juntos. A literatura, o cinema, a música e a TV mostram isso todos os dias. Nas artes inventamos finais felizes, que na vida real seriam, no mínimo, utópicos.

Separando o amor verdadeiro do resto, o que resta são interesses disfarçados de amor.

Romeu “ama” Julieta por que é proibido. Adriane “ama” Airton por que ele é um herói.

Thiago “ama” Pedro por que ele é sarado. Daniela “ama” Ronaldo por que ele é rico.

Renata “ama” Valmir por que está grávida. Amanda “ama” Pietra por que ela traz conforto.

E quando este interesse, hora disfarçado de beleza, hora de dinheiro, ou seja lá o que for, quando o interesse acaba, todos partem o coração e partem para o próximo amor, quer dizer, interesse. Ser descartável, não é estranho?

Não quero ser hipócrita. É óbvio que primeiro algo em mim interessa a você e vice-versa. Minha crítica está no fato de permanecer nisso e não evoluir. Se o amor é um jogo, quem se entrega de verdade perde de 7 a 1 e nem passa da primeira fase. Estou cansado de estar sempre nessa mesma fase do jogo.

Todo um que eu conheço sonha ser feliz a dois. E isso tudo me leva a uma conclusão: perdoou você rápido demais e você a mim, de menos. E deve ser porque a sua melancolia combina com a minha poeticidade.

 

Vinte e seis de agosto, nove e quarenta e dois.

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