Sobre amor e brigadeiro

Eureca: o amor se parece muito com brigadeiro de panela.

Para amar, separe:

1 Colher de sopa de paciência

1 Lata de confiança

4 Colheres de sopa respeito

Aqueça a relação, digo, panela em fogo médio. Baixo demais é amizade. Alto demais é paixão passageira e queima.

Acrescente 1 colher de sopa de paciência. Seja generoso, é uma colher bem cheia, de mãe. É a paciência que vai dar a liga. Ela ajuda a desfazer os caroços, digo, problemas que surgirem durante o preparo e dá aquele brilho especial ao amor, digo, brigadeiro.

Logo após utilize toda a lata de confiança. E cuidado! Pode ser que ao abrir a lata você se corte, mas isso é natural. Confiar requer coragem e a gente, de vez em sempre, se corta. Não se preocupe. Cortes ocasionados por latas de confiança doem, sangram, incomodam, mas coloque um curativo e siga em frente. O brigadeiro, digo, o amor sobrevive aos cortes, que quando cicatrizados funcionam como um memorial aos mártires que lutaram bravamente por amor. Nobre, não é? Em última análise, cortes acontecem, mas o importante é o brigadeiro, digo, o amor. Resumindo o resumo: foque no amor e não nos cortes.

Em seguida acrescente 4 colheres de sopa de respeito. Por si mesmo, pela outra pessoa, pelos sonhos, vontades, anseios, de cada um. Sim, eu disse um. Vocês agora serão um. E essa é a magia do brigadeiro, digo, amor: se junta coisas diferentes, que quando misturadas da maneira certa, se tornam uma coisa só. Fofo, não é?

E então, mexa sem parar até desgrudar da panela. Bem, agora vem aquele momento em que você precisa se dedicar, e muito. O amor, digo, brigadeiro, não é para os preguiçosos. Se quiser algo, é preciso mexer-se sem parar, até desgrudar da panela, digo, até chegar aonde se quer. A vida se parece muito com brigadeiro de panela. É preciso estar atendo ao fundo da panela, a altura da chama, a textura da mistura, o tempo decorrido até então, etc e etc. Boas relações são feitas de pessoas atentas aos detalhes, com vontade suficiente de fazer dar certo. Sacrifício que será docemente recompensado.

Por fim, se for ansioso como eu, espere só esfriar um pouco e se delicie, ali na panela mesmo, as colheradas. Simplicidade define.

Se você é daqueles que gostam de transformar o brigadeiro em um acontecimento, unte um recipiente onde a mistura será despejada e faça pequenas bolas com a mão passando-as no chocolate granulado.

Última dica (de quem sabe pouco de brigadeiro e menos ainda de amor): coma aos poucos, devagar, sem pressa. Se delicie com cada colher ou bolinha granulada. Sinta o sabor, o aroma, a textura. Se possível, leve o brigadeiro, digo, amor até a boca e feche os olhos. Viva aquele momento por inteiro. Penso que brigadeiros, assim como amores, devem ser celebrados. Ser doce é preciso.

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