Pedido de casamento pós-moderno

Nunca te vi, mas me parece muito familiar. O tom da sua pele, a cor do seu cabelo, o formato da sua boca, o jeito como me olha… já te vi em algum lugar. Fato.

Mas de onde te conheço? Não estudamos, nem trabalhamos juntos, caso contrário me lembraria. Já sei.

Nós, apaixonados humanos carentes, temos um lugar no cérebro, ou seria no coração? Enfim, nós temos um lugar onde idealizamos a pessoa ideal. É de lá que te conheço. Só não esperava encontrar-te assim. De repente.

Pois bem, voltemos ao seu olhar. Quanto a mim, olho mesmo. Meu olhar curioso filma tudo ao meu redor. Pois bem, te filmei. Ao rever as imagens gravadas, está lá nítido como um dia de sol, você me olha…

Você me olha como quem vê um desejo. Como quem vê um medo. Com um olhar doce.

Você me olha como quem quer, mas não deve. Como quem adoraria e não pode.

Você me olha como um leão que comeu vegetais a vida toda e agora está diante de um suculento pedaço de carne. Seu olhar saliva.

Então, o ônibus faz uma curva brusca e eu acordo do meu transe imaginativo. Percebo que estou perto do meu ponto, que existem outras pessoas ao meu redor. Chove lá fora.

Olha pra você de novo. Você está ali. É real. E você continua me olhando como quem adoraria que o ônibus estivesse vazio, para se aproximar, perguntar meu nome e contar piadas.

Se você me dissesse ‘oi’. Eu diria ‘sim’. E nos casaríamos na semana seguinte. Só que não.

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