Enquanto houver promessas

Primeiro eu respiro. Segundo isso te ofende, a maneira como respiro. Terceiro você nos aprisiona em horas de discussão. Por quê? Por que respiro.

Primeiro meu coração bate. Segundo isso te machuca, o ritmo que meu coração bate. Terceiro você nos lança em um abismo de discussão. Por quê? Por que o coração bate.

Milésimos de segundos depois, você respira enquanto seu coração bate.

Fico sem entender. Afinal, se em mim te machuca e ofende, imagina em ti mesmo.

Pergunto o que se passa e você decide que a partir daquele momento, respirar e sentir o coração bater são banalidades comuns da vida.

São nessas horas que seu irônico sorriso sarcástico escapa enquanto seus olhos sobem para dentro de suas pálpebras entreabertas. Odeio essa imagem!

Fico ofendido. Você percebe. Volta atrás e promete que não mais respirará nem deixará o coração bater.

Tenho sérios problemas com promessas.

Acho que por que quando quebrei a perna direita aos sete, minha tia fez promessa e fomos até a basílica e compramos vela do meu tamanho e ao chegar no local de deixar a vela e rezar, parecia um cemitério cheio de fotos de gente viva.
Acho que por que meu pai prometia tudo e não cumpria um por cento.
Acho que por que moro no Brasil e aqui existem políticos brasileiros.
Acho que por que suas promessas, assim como as de todos da nossa geração, inclusive as minhas, não duram mais do que o virar de página do meu livro favorito enquanto leio.

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