Correnteza de rio
Revolução
Ora-pro-nóbis
Vento na montanha
Avalanche
Estrela cadente
Esse texto é para te dizer
E me lembrar
Que tudo o que é para ser
Tem muita força
___ oemquepensar
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Na minha família sempre dizem “quando um não quer, dois não brigam”. Deve ser por isso.
Acho que tudo bem que cada um tenha a sua e juntos criem uma outra vida, uma terceira. Talvez tenha faltado cuidar dessa.
Mas de boa. Acho que tá todo mundo perdido. Acho não, tá todo mundo meio assim. Meio não, tá todo mundo muito-muito inteiro-inteiro perdido.
Será que se a gente se perder um no outro a gente chega lá? Lá onde? Ué, onde a gente quiser. A gente queria muito estar aqui, lembra? Não!? Mas nem faz tanto tempo assim.
Por que será que a gente quer e aí, quando tem, não quer mais? Desculpa, eu não tenho as respostas. Tenho as perguntas. Já é alguma coisa, né? Eu sei que você não tem perguntas. As vezes é até melhor assim, sabia?
Outra coisa, sempre tem quem reza porque precisa e quem não lembra de rezar. Por que eu tô falando isso? Sei lá, às vezes eu acho que a gente é abençoado, mas não sabe muito bem o que fazer com isso.
___ oemquepensar
Naquele aplicativo de um sistema operacional qualquer, a felicidade começa com “digitando…”
— oemquepensar
A maneira como cuida das coisas que ama lembra alguém que ganhou uma samambaia e sempre esquece de regar.
— oemquepensar
Foi só um sonho ou
a gente se encontrou?
Sim, tipo projeção astral.
É intuição ou paranóia?
Acho que não importa.
Só serviu pra confirmar
o que a gente já sabe:
no dia em que for possível
ver a alma uns dos outros,
a sua será uma das mais lindas.
— oemquepensar
Imagina cair em si e
perceber que está
perdido em algum lugar
entre a ânsia de ter
e o tédio de possuir
à la Schopenhauer
e passar a correr em
todas as direções em
busca de respostas que
estão, na verdade, dentro.
— oemquepensar
Faz de conta que a gente
tem uma planta em comum.
E a gente combina de cuidar
dela, sempre que preciso.
Eu rego com carinho,
você aduba com afeto,
nosso combinado predileto.
Agora imagina fazer tudo
sem nem precisar combinar.
Seria a perfeição do felizes
para sempre, não seria?
A sorte de desejar
as mesmas coisas.
Ei, você sabe, né? Esse texto…
Não é sobre plantas.
___ oemquepensar
Olha lá o poste…
Sério que você não tá vendo?
Se olhar do ângulo certo,
vai ver que a chuva tá dançando.
— oemquepensar
A torre sempre esteve lá.
Aquele morro que quase
sempre me vence, também.
Por que diferente agora?
Que borogodó é esse?
Tipo, será que é porque
você disse que o meu
cabelo é cinematográfico
e agora eu sei?
— oemquepensar
Tá ouvindo?
Parece que vai explodir.
Ainda não tem nome.
Nem dá pra saber se é bom,
ruim ou se transcende.
Mas há uma explicação:
É que eu sou de cachoeiras,
em um mundo de conta-gotas.
___ oemquepensar
Eu sei. Mas é que se você não me der a mão, eu acho que não consigo pular esse muro. Como qual? Esse… alto, forrado de coroa-de-cristo e feito de pedras, as que você juntou pelo caminho.
Nem vem dizer que isso é coisa da minha cabeça, porquê num primeiro momento eu não reparei nele, tentei me aproximar e pow: dei com a cara no seu muro.
Ah, então se é exagero, passa você pro lado de cá. Não consegue, né? Foi o que eu pensei.
Espera… o que é aquilo ali perto daquela rachadura no canto do seu muro? Ah, é uma muda de lavanda.
Sei lá. A verdade é que nem sei como foi que eu consegui te ver aí dentro. Não o você que parece ser, tô falando do verdadeiro você, com o olhar doce pedindo socorro.
Tá bom, vou parar. Te assustei, né? Eu sei.
— oemquepensar
E se a vida for isso?
E se isso for pouco?
— oemquepensar
Por quê?
Vocês já tiveram a oportunidade de conversar?
Por cinco minutos que seja.
É um anjo da Terra.
Como não se apaixonar?
– oemquepensar
Da janela, dava pra ver que o prédio era feito de concreto-desassossego.
Olhei pro lado e você dormia.
Senti paz-gratidão.
– oemquepensar
O paulistano é cordial.
Só não é ainda mais, porque é obrigado a ter pressa e então não dá tempo.
– oemquepensar
Curioso que, dependendo da localização, patriota rima com idiota.
– oemquepensar
Eu enjôo rápido das coisas, você sabe.
Então você me vem com olhos que mudam de cor, com tons que variam entre azul, verde e cinza.
Bem legal isso da sua parte, eu sei.
– oemquepensar
Nos cruzamos e nos cumprimentamos apenas com olhares sérios, e para a minha surpresa.
_ Você é o Danilo, não é?
_ Sou… Desculpa mas eu sou péssimo com nomes… rs’
_ Willian…
_ Ah, verdade! Quanto tempo, né.
_ Pois é, nem lembro quanto.
_ Tem 20 anos já.
_ Nossa, tudo isso. rs’
_ Eu havia quebrado a perna direita, você estava com crise de reumatismo e as enfermeiras enchiam as luvas com gás hélio pra eu brincar.
_ Você lembra de tudo isso, mas não meu nome? rs’
_ Falei que sou ruim com nomes… rs’
– oemquepensar
Eu, olhares. Sorrisos, você.
Então, se você me olhasse e eu sorrisse, tudo ficaria doce.
Vem. Anda que o trem chegou.
– oemquepensar
Eles querem corpo.
Nós, alma.
– oemquepensar
Pareço bobo, mas deixo pistas e sinais em todo lugar, você que não nota…
– oemquepensar
Eu sei que a vida não é romântica, nem doce, nem fácil…
Então pra me vingar, de vez em quando, convenço outras pessoas que é possível.
Funciona por um tempo e enquanto elas acreditam, gargalhamos juntos na cara da vida.
Que sempre dá um jeito de estragar o faz-de-conta.
– oemquepensar
— Eu tenho medo de altura…
— Sobe logo!
— …
— Eu nunca trouxe ninguém aqui.
— …
— Você ainda tá com medo?
— Tô!
— Medo de quê?
— De descer… rs’
– oemquepensar
— Por que você tá todo ‘bobiço’ hoje?
— Ah, tô tentando te agradar, você tá ‘chatiço’ hoje.
— Pois é…
– oemquepensar
Só te entrego meu coração se você disser que nunca sentiu nada parecido por ninguém antes, mas não me diga com palavras… atitude, essa é a palavra!
Eu só quero se for único, verdadeiro, absurdo, amável, visceral, admirável, dilacerante, justo, respeitável, puro, mais do que eu imagino… parece complicado, mas é simples! Ser você mesmo não é tão difícil assim…
E eu continuo acreditando no “pra sempre”, mas já não faço disso uma condição. A única regra aqui é fazer bem e sorrir… e, se possível, pra sempre.
– oemquepensar
Eu acho que a gente tem uma conexão tão foda. Tão “tava escrito”. Tão “era pra ser”…
E tô sempre tão acostumado a me dar inteiro e receber você inteiro de volta, que quando falta um pedacinho seu, ou quando eu acho que falta um pedacinho seu, já fico mal…
A sensação é tipo a de um viciado com abstinência em crack, mas pior, já que estamos falando da droga do amor…
E é aí que o problema começa. Eu não deveria me sentir mal por achar que falta um pedacinho seu. Simplesmente por que nenhum dos seus pedacinhos é um pedacinho meu. Você é de si mesmo e se dá pra quem, quando e onde quiser…
Eu sei, tô sendo intenso. Até queria não me importar tanto, não esperar tanto, não idealizar tanto, mas não dá. Esse sou eu. Esse é um dos meus pedacinhos…
E se você quis se dar pra mim agora, você precisa abraçar esse meu pedacinho com carinho, do mesmo jeito que abraça os meus outros pedacinhos. Juro que tô fazendo o mesmo por você…
Sabe, talvez esse seja o segredo. A gente vai abraçando com carinho os pedacinhos um do outro e quando vê já se passaram dez meses, dez anos, uma vida inteira…
E aí, quando estiver naquele jardim daquela casa de campo, vai olhar pra trás e poder dizer que valeu a pena cada pedacinho.
– oemquepensar
Um dos meus porteiros se chama Zé.
E eis aí o cúmulo da redundância.
Me incomoda dizer “Bom dia, Zé” ou “Bela Camisa, Zé”. Pareço preconceituoso.
Deveria ser um outro nome. Diferente. Original. Que tal… Luzinete?
– oemquepensar
Se eu não estiver presente, estarei na conversa.
Se eu não estiver na conversa, estarei no pensamento.
Se eu não estiver no pensamento, estarei na memória.
– oemquepensar
Não sei se ‘cê sabe, mas vez ou outra fico observando a gente.
Não sei se ‘cê faz, mas dou um jeito e consigo me distanciar dali em pensamento.
Geralmente é quando ‘cê ‘tá falando de arquiteturas e me divido entre o que vive e o que assiste aquele momento.
Acredita em mim, a gente junto é maior bom de se ver. Tão bom que dá até pra sentir e isso é incrível.
Não um incrível clichê ou idealizado. Um incrível real. Um incrível possível.
Nesses momentos, agradeço o ‘cê, o universo e a mim, por esse encontro. E me pergunto se isso é o que se chama amor.
– oemquepensar
Pegue o último elogio que recebeu, escreva num papel e cole em si mesmo. (Pode ser na testa).
Olhe-o no espelho. Mostre-o por aí.
Catorze dias depois, descole o papel, passe o elogio adiante e vá ser feliz. (Até nos dias difíceis ou sem elogios).
– oemquepensar